"Estou afónica, descontrolada, perdida... estou apaixonada pela palavra amor. Mas tão terrivelmente apaixonada que ponho a palavra em todo o lado, desde o caderno de português até à parede do meu quarto.
Decomponho-a repetidamente em todas as letras do alfabeto com que é escrita desde as vogais A, O e E até as consoantes M e T. Vejo-a em tudo onde olho ao meu redor, e noto-a em tudo o que noto, e sinto-a em tudo o que sinto, e deixo-a onde sempre quero, que é invariavelmente naquilo em que preciso para ser realmente feliz-no meu coração- Chamo-lhes nomes baixinho, segredo-lhe suspiros ao ouvido, toco-a enquanto a escrevo nas linhas grossas das minhas mãos e deito-me na cama, sonho todo a noite e acordo com ela.
E eu, que não sei bem se acredite ou não em fantasmas, acredito tanto mas tanto nela que mesmo se um fantasma de coração frio e roxo viesse para pôr ali o seu dedo, julgo que acabaria por perceber que nada mais valeria a pena fazer, pois que assim já estava mais que perfeito, não desde sempre mas para todo o sempre. Até que, eu como uma vulgar, e simples rapariga, rebolaria na areia até ficar um croquete de bacalhau delicioso pronto a fritar, deixaria meu pés compridos entrelaçaram-se com os mais finos grãos de areia, esperaria na praia pela quinta e maior onda até o sol se deitar para, corada, salgada lançar ao mar, numa garrafa de vinho, vidro verde mio baço, tampa cuidadosamente calafetada, uma mensagem em letra mal escrita a tinta da china, de apenas um sentimento, um desejo, uma palavra: amo tracinho te.
Gosto muito da palavra amor, mas gosto ainda mais daquilo para que ela serve, do seu sentimento traduzido em atitudes, do seu veneno que corre em minhas veias e que não para até passar as minhas artérias e chegar a encher meu coração."
Proposta de Trabalho de Língua Portuguesa: Escrever um texto cujo tema era a nossa escolha, com máximo de uma folha A4.
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